Obsessed by the Moon

Venho falar hoje de uma banda bem peculiar que te arrasta por todo um lirismo existencialista com letras sobre dor, vício, perda e redenção, uma fusão da falha de ser humano ou mais o peso do “ser” humano ?

Trazem músicas que te levam para um transe em que você questiona a si mesmo enquanto é arrastado pela guitarra e o baixo e a intensidade da bateria como se jogasse de um prédio de uma cidade numa noite sombria e chuvosa.

Hangman’s Chair

Nasceu nos subúrbios de Paris em 2005, carregando nas veias a melancolia e o peso existencial do doom metal, mas com alma pós-hardcore e uma estética quase cinematográfica. É uma banda que parece tocar a solidão das cidades modernas, o tédio e a beleza triste da existência, banda composto por 7 Albums.

Não é só doom.
Não é só post-metal.
É uma mistura singular:

  • guitarras lentas, arrastadas como correntes
  • vocais que parecem um lamento humano tentando não gritar
  • melodias tristes, quase grunge
  • climas densos, shoegaze escuro
  • explosões de peso que soam como um desabafo

Eles deixam respiros, espaços, ecos como alguém respirando fundo antes de desabar.

Hangman’s Chair não é uma banda para qualquer um.
É um refúgio emocional para quem vive o peso silencioso no dia a dia.
Eles tocam para quem já caminhou sozinho à noite pensando em tudo e em nada, ao mesmo tempo perdido.
para quem sente as veias sombrias da vida e que nem tudo e bonito quem entende que existir e trágico.

Um pedido de socorro para os que carregam feridas e cicatrizes antigas em silencio.

Membros :

  • Cédric Toufouti (vocais e guitarra)
  • Julien Chanut (guitarra)
  • Mehdi Birouk Thépegnier(bateria)
  • Clément Hanvic (baixo)

Hangman’s Chair não é apenas estética eles perderam amigos próximos e viram pessoas sucumbirem a drogas e desespero. Isso se tornou combustível para obras intensas como “This Is Not Supposed to Be Positive” (2015).

Apesar do título quase irônico, o álbum é profundamente emocional, sombrio e humano não tenta parecer forte nem grandioso ele exala vulnerabilidade, uma obra que sangra sinceridade. Foi esse disco que consolidou o Hangman’s Chair como uma banda que não só toca peso, mas carrega o “peso”.

Uma música que me chamou muito a atenção desse álbum foi “Requiem”. Ela reflete sentimentos que vivi com o entorpecimento da lógica pelo alcoolismo e o impulso pelo suicídio, uma verdadeira reflexão sobre a aceitação da própria ruína. A faixa carrega uma densidade emocional enorme, lenta, melódica, como se você ouvisse cada suspiro, cada corte, cada lágrima.

Outra música que me impacta profundamente toda vez que ouço é “Flashback”. Ela te força a olhar para dentro do próprio passado não aquele passado bonito, mas os traumas que fingimos que não aconteceram, os que ficaram impregnados na nossa pele. A música transforma isso em som um looping emocional que te puxa e prende. O instrumental reforça essa sensação, como se fosse uma espiral lenta, sufocante, hipnótica.

E não posso deixar de falar de “Dope Sick Love”. Fala de um amor que corrói, que machuca, mas do qual não se consegue escapar. A letra mostra o lado humano de sentir falta do que te faz mal, sentir falta da dor que vicia. Literalmente, representa qualquer dependência emocional seja de outra pessoa ou de um sentimento. É dolorosa e bela ao mesmo tempo.

“This Is Not Supposed to Be Positive” (2015).

A música deles é honesta — não por pose, mas por vivência cada álbum é um obituário para alguém que eles amaram.

Eu mesmo conheci a banda em um daqueles dias que já nada fazia sentido e como era do meu costume nos dias difíceis gostava da ilusão de tomar uma cerveja numa bar e fingir que deu uma pausa na vida conheci a banda pelo album “Banlieue Triste “(2018).

O que logo me chamou atenção foi a estética do álbum e, principalmente, aquilo que considero o coração do disco a música “Naïve”. Para mim, a letra é profundamente impactante sempre que a ouço, sinto a mesma emoção da primeira vez um verdadeiro murro na alma.

E temos também “Negative Male Child”, uma faixa ao mesmo tempo prazerosa de ouvir e dolorida. A música aborda a construção do “eu” masculino em um contexto de dor, isolamento e pressões sociais, trazendo rejeição, frustração e sentimentos destrutivos. A faixa fala das cicatrizes invisíveis, daquilo que carregamos desde cedo e que molda nossos comportamentos e emoções.

Banlieue Triste” (2018).

Outro álbum que curto bastante é “A Loner” (2022). Pelo nome você já sacou o porquê, né? É um disco que te entrega aquela sensação amarga e vazia enquanto você chora. As letras falam de ciclos, ruína interior, isolamento… não é só tristeza, é uma aceitação contemplativa do “estar sozinho”. Uma fusão de doom, pós-metal e uma vibe gótica/shoegaze, com arranjos que dão espaço para respirar, meditar e deixar umas lágrimas caírem. Os arranjos permitem que a voz de Cédric Toufouti se destaque, mas sem perder força quando o peso instrumental cresce.

Músicas de destaque como “An Ode To Breakdown” trazem uma abertura emotiva e pesada, praticamente um lamento que fica planando na mente. Outra faixa que gosto muito e nunca canso de ouvir é “Who Wants to Die Old”: uma música sobre morte e envelhecer, carregada de sentimentos e, pra mim, com um toque de filosofia como se cada um fosse morrer com suas mentiras entaladas na garganta, com medo de ser julgado por dizer a verdade e sem entender por que somos assim.

E claro, não dá pra deixar de falar de “Storm Resounds”. Logo no início ela já arrepia. O peso dessa música nem tem palavras direitas para explicar. Fala sobre raiva, vergonha… aqui a banda vai fundo na estética do doom: pegada lenta, mas cheia de peso, e uma voz resignada, quase cansada. Nossa… essa música é uma obra de arte.

“A Loner” (2022).

E temos também o “Saddiction” (2025), um dos álbuns mais recentes deles. Mano… como falar desse álbum, pqp. Ele mergulha fundo em temas como solidão, sofrimento mental, a monotonia do subúrbio moderno e até o amor mas sempre de uma forma dolorosa. É literalmente “uma montanha-russa melancólica”.

Uma das faixas que mais gostei foi “2 AM Thoughts” (feat. DOOL): insônia e angústia pura. Traz aquela melancolia que te faz se perder nos próprios pensamentos. Outra música que me chamou muita atenção foi “Kowloon Lights” carregada de romance e dor, fala sobre deixar alguém ir, o medo do fracasso, toda aquela intensidade que rasga por dentro.

E, ainda no mesmo clima, temos “Canvas”, que passa aquela sensação de quebra de ciclo: cada um segue seu rumo, mas a dor permanece, firme, te acompanhando como sombra. Cara… esse álbum é foda. Ele tem uma atmosfera “fria”, cortante. Super recomendo.

Ah e o nome “Saddiction” vem da junção de “sadness” + “addiction”: a ideia de uma “dependência da tristeza”.

Saddiction (2025)

Vou falar de mais um álbum: Hope///Dope///Rope (2012). Ele mistura doom metal pesado, stoner e sludge, com riffs arrastados e aquela atmosfera densa. A sonoridade é marcada por guitarras down-tuned, bateria lenta e vocais que transitam entre melancolia e raiva.

O álbum gira em torno de um temas forte “Hope” (esperança), “Dope” (droga) e “Rope” (corda) são metáforas poderosas para os dilemas da existência, dependência e suicídio, mostrando a capacidade da banda de transformar dor e desespero em música intensa, bela e catártica.

Começando pela faixa “The Saddest Call”, lenta e sufocante, que fala de perda e desespero. Para mim tem um toque de pareidolia na interpretação da letra, porque o chamado, ao meu ver, já transcende o plano material, trazendo algo quase sobrenatural.

Em seguida, “Ain’t Living Long Like That” aborda crise existencial, misantropia e desgaste social. E, claro, não posso deixar de falar da faixa-título “Hope///Dope///Rope” essa vai doer. A letra é um discurso sobre alienação e frustração existencial, refletindo como a sociedade e o ambiente moldam e oprimem o indivíduo. É um verdadeiro tapa na cara.

Hope///Dope///Rope (2012)

Agora chega de spoilers deixarei vocês mesmos apreciarem essa obra de arte. A notícia ruim é que a banda entrou em hiato, e não se sabe quando irá voltar e se vai voltar. Triste…

Site Metallum – https://www.metal-archives.com/bands/Hangman%27s_Chair/103951

instagram – https://www.instagram.com/hangmans_chair/

Facebook – https://www.facebook.com/hangmanschair/

Bandcamp – https://hangmanschair.bandcamp.com/

Site – https://hangmanschair.com/

By

·

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora