

Voltei com a minha esquecida vitrola.
Perdi-me em suas músicas a ponto de quase esquecer da minha própria existência.
Hoje quero falar de uma banda que conheci há uns quatro anos, se não me falha a memória. Depois de toda a guerra entre eu e minha consciência, depois de largar o Brasil de repente e me jogar em Lisboa, enfrentando dificuldades, pandemia, alcoolismo, depressão e tudo mais…
Foi aí que o Amenra apareceu. Transformou minhas dores em algo suportável — foi, literalmente, um abraço ao caos e à filosofia niilista que me impregnava. Aceitei minhas dores, convivo com elas e me torno mais forte através delas. Mesmo que, às vezes, as lágrimas escorram mais do que o sangue que circula em meu corpo.
Foram anos de solidão, pensamentos suicidas e muitas lágrimas.
Mas, ainda assim, não deixei de aproveitar o ar que respirava; aprendi a dar valor ao mínimo, uma conversa, um concerto, uma folga.
Envolvi-me pela fotografia e transformei a arte em mensagens e alívios.
A música foi meu escape: bastava colocar os fones, perder-me em letras, solos de guitarra e gritos rasgados que doíam no coração só de ouvir.
Derramava lágrimas apenas por entender.
Olhava para o céu como se nada fosse real mas era.
Então, pegava minhas dores e as deixava ecoar ao som do Amenra.
Mas afinal, o que é Amenra?
É uma banda belga de post-metal, de Kortrijk.
Formada em 1999 pelo vocalista Colin H. van Eeckhout e pelo guitarrista Mathieu Vandekerckhove, hoje conta também com o baterista Bjorn Lebon, o guitarrista Lennart Bossu e a baixista Amy Tung Barrysmith.
Foi fundada pelo vocalista Colin H. van Eeckhout, o guitarrista principal Mathieu Vandekerckhove e o baixista Kristof Mondy
Antes, eles faziam parte da banda Spineless, de hardcore punk, que se separou em 1999 porque buscavam algo mais profundo, com essência e alma.
A pegada do Amenra é sombria, espiritual e ritualística. Suas apresentações são únicas, quase impossíveis de explicar, conhecidas como verdadeiras comunhões arrebatadoras. Em 2005, o grupo fundou a Church of Ra, um coletivo de artistas colaboradores que inclui bandas como Oathbreaker e Black Heart Rebellion.
Os álbuns do Amenra carregam o nome de “Mass”, criados a partir da necessidade de refletir sobre experiências ou fases específicas da vida dos membros. Por isso, eles nunca sabem se o próximo álbum será o último..
Os shows ao vivo do Amenra são conhecidos por sua aura pesada, ritualística e quase macabra.
Em uma de suas apresentações, Colin H. van Eeckhout perfurou a própria pele com ganchos de carne, pendurou pedras em seu corpo e deixou as cicatrizes e o sangue expostos diante do público.
Embora se autodenomine agnóstico, Van Eeckhout reconhece a presença inevitável da espiritualidade e da religião na obra da banda. Pouco antes do lançamento de Mass VI, ele declarou em entrevista ao The Independent:
“Temos uma história para contar, e ela é sempre a mesma. Sempre escrevo sobre a dor da vida. Sempre uso experiências pessoais como referência, para relatar da forma mais verdadeira e honesta possível, do coração. Tento transformar a escuridão em luz. Desde o início, nossa intenção com os álbuns Mass foi criar uma plataforma para autorreflexão, estabelecer uma base para a introspecção — aquele momento em que você está de joelhos e faz perguntas que não têm respostas.”
Um detalhe marcante da vida do vocalista é que seus mamilos foram removidos cirurgicamente. Mais tarde, ele os revestiu em resina transparente e prata ornamental, com a intenção de entregar cada um deles, como relíquia, a seus dois filhos. (Fonte: Wiki)
O Amenra já está presente em dois filmes que carregam sua essência: um deles é Wolves, prestes a ser lançado, e o outro conta com a participação do vocalista Colin H. van Eeckhout chamado Skunk.
Membros atuais
- Colin H. van Eeckhout – vocal principal (1999–presente)
- Mathieu J. Vandekerckhove – guitarra solo (1999–presente)
- Bjorn J. Lebon – bateria (1999–presente)
- Lennart Bossu – guitarra base (2008–presente) [ 32 ]
- Amy Tung Barrysmith – baixo (2025–presente; músico em turnê em 2024)
Álbuns de estúdio
- Missa III (2005)
- Missa IIII (2008)
- Missa V (2012)
- Missa VI (2017)
- De Doorn (2021)
- Skunk (Trilha Sonora Original do Filme) (2024)
Singles e videoclipes
- “Agora 9|10” (2012)
- “Boden” (2012)
- “Amonâme” (2014)
- “Caronte” (2016)
- “Filhos do Olho” (2017)
- “Um Reinado Solitário” (2017)
- “Trahn” (2020)
- “A Invocação” (com Kreng) (2020)
- “Song to the Siren” (cover de Tim Buckley) (2021)
- “De Evenmens” (2021)
- “Voor Immer” (2021)
- “Day is Done” (2021) (capa de Nick Drake) (2021)
- “Roads” (2022) (capa de Portishead) (2022)
- “Desamparado” (2025)
- “Heden” (2025)
- “De Toorn (Talismã)” (2025)
- “Salve Mater” (2025)
livros
- Igreja de Rá (2008)
Sites
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