Não esperem trombetas
O anticristo já veio
E tem mãos humanas
É o homem.
Homem que fode a terra com a desculpa de progresso.
Que arranca a raiz, queima o céu,
Mata irmão por migalhas e chama isso de vitória.
Tem um coração movido a cifrões
O anticristo veste pele humana,
Veste fardas anda de gravata.
Anda de carro blindado e luxuoso.
Faz discursos suaves recheados de pólvora
Cospe sangue em nome de um deus que nunca existiu.
Planta veneno onde antes nasciam flores.
Constrói igreja em cima de ossos indígenas e pessoas humildes
Vende salvação a quem morre de fome,
Usa a cruz como arma e a bíblia como escudo do ódio.
Não rezo a teu deus hipócrita
Honro a mãe terra, esquecida.
Que sangra calada.
Religião virou empresa.
Á fé virou produto.
Deus é marketing.
Vocês mataram a floresta.
Esquartejaram o sagrado.
Cuspiram na mãe terra pra erguer prédios de concreto podre.
Chamam de civilização,
Mas é só destruição com nome bonito.
Hipocrisia encadernada.
Promessa de céu, com cheiro de enxofre humano.
Cristianismo?
É o vírus mais sorridente que já contaminou o mundo.
Escraviza, julga, condena — tudo em nome do seu falso amor.
Hipócritas!
Pregam paz com o cano de uma arma enfiado na boca do pobre.
Teu perdão tem preço,
Tua paz vem armada.
Respeito só quem sente a terra pulsar.
Os que dançam com o vento,
Que ouvem o rio,
Que choram quando a árvore cai.
Celtas, indígenas, umbandistas, budistas, wicca, panteístas —
Os que valorizam, e harmonizam com meio ambiente
Os que lembram que somos pó, água e vento.
Não lucro, plástico e veneno.
Os poucos que ainda sabem
Que o sagrado nasce da terra,
Não do ouro.
O fim não virá com chamas do inferno —
Ele já arde nas nossas mãos.
É quando tudo ruir,
Não será deus, nem diabo, quem julgará
Será o planeta, cansado, exaurido.
Que devolverá tudo que colhemos.
Vomitando o que irá sobrar de nós.
É não será o “diabo”,
Mas o reflexo que sorrirá por último.
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