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Na noite anterior, tomei minha última taça de vinho. Precisei fugir, pois onde eu vivia parecia um hospício. Me sentia preso, como se minhas forças estivessem sendo sugadas por um buraco negro.
Acordei cedo e, ao me deparar com a cidade, só havia caos: carros queimados, prédios destruídos, árvores caídas. Mas entre toda aquela destruição, havia uma árvore. A rua estava cheia de carros destruídos, mas essa árvore… Eu ouvi os pássaros cantando novamente. Que alívio isso me trouxe. Mas, ainda assim, havia algo que me preocupava. Eu sabia que meu tempo estava acabando. Já tinha morrido várias vezes na minha vida, mas naquele dia senti que, finalmente, era a hora.
Já não sentia nada. Cheguei a um ponto tão vazio que percebi que, de certa forma, já tinha morrido. Os pássaros cantando eram um aviso.
Você está morto…
Enquanto a cidade ardia em chamas, não via ninguém na rua. Pois, na noite anterior, não só eu morri, como o mundo também tinha acabado.
Lágrimas de sangue escorriam pelo meu rosto. Cheguei a me perguntar como tinha morrido, mas talvez estivesse embriagado demais para lembrar ou sequer sentir. Espero que tenha sido breve, pois ao longo da vida já havia sofrido demais.
O tempo acabou, mas, mesmo assim, foi gratificante ouvir os pássaros cantando novamente. Por alguns segundos, pude sentir algo que não sentia há toda a minha vida.
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